MIELOMENINGOCELE

Mielomeningocele

O que é mielomeningocele

A mielomeningocele é um dos defeitos congênitos do fechamento do tubo neural em que as meninges, a medula espinhal e as raízes nervosas ficam expostas, o que ocasiona perdas motoras e sensitivas nos membros inferiores. O fechamento do defeito pode ser feito ainda antes do nascimento (cirurgia intra-uterina) ou logo após.


Manifestações Clínicas
As manifestações clínicas variam conforme o nível da lesão, mas geralmente incluem fraqueza ou paralisia dos membros inferiores, alterações da sensibilidade, deformidades ortopédicas como pés tortos e luxação do quadril, além de incontinência urinária e fecal. Hidrocefalia e disfunções cognitivas também podem estar presentes, exigindo acompanhamento multidisciplinar desde os primeiros meses de vida para promover o desenvolvimento global da criança.

Classificação da Mielomeningocele
Nenhuma criança com mielomeningocele é igual à outra. Mesmo quando o diagnóstico é o mesmo, os impactos no movimento, na sensibilidade e na independência funcional podem variar bastante. Para entender melhor essas diferenças e planejar o melhor cuidado para cada caso, usamos classificações que nos ajudam a identificar o nível da lesão e as possibilidades de mobilidade.

Mielomeningocele


Classificação pelo nível da lesão na coluna (topográfica)

Dependendo da altura da coluna vertebral em que ocorreu o defeito de fechamento na vida intra-uterina, existem características específicas.

Classificação Funcional (Myelomeningocele Functional Classification System- MMFC)

A capacidade para andar depende de outros fatores além do nível neurológico, por isso a classificação funcional leva em consideração o desempenho do paciente. Esta classificação deve sempre ser usada com a Functional Mobility Scale (FMS) para descrever a capacidade de andar em distâncias 5, 50 e 500 m.

MMFC

Potencial para andar

O quadro clínico e funcional varia e depende principalmente do nível neurológico da lesão, mas também da presença deformidades de coluna vertebral e membros inferiores, complicações neurológicas (como hidromielia, medula presa, malformação de Arnold-Chiari), obesidade, motivação, entre outros. Casos mais graves podem ter grandes dificuldades motoras enquanto os mais leves podem ter poucas limitações.


Tratamento
Desde o diagnóstico intrauterino, os pais precisam de acolhimento e informações claras. O tratamento da mielomeningocele exige uma abordagem interdisciplinar com profissionais como neurocirurgião, ortopedista pediátrico, urologista, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Essa atuação coordenada, com metas definidas para cada criança, é fundamental para promover seu desenvolvimento físico, emocional e social.

Fechamento da lesão

O fechamento intrauterino está associado a melhores resultados motores e menor necessidade de válvula de derivação. Quando realizado após o nascimento, deve ocorrer nas primeiras 24–48 horas de vida.

Reabilitação motora

A reabilitação é essencial e deve ser contínua e personalizada. A fisioterapia fortalece a musculatura, previne deformidades e, quando indicado, treina a marcha com órteses. A terapia ocupacional atua no desenvolvimento da coordenação motora fina e na autonomia nas atividades diárias.

Órteses

As órteses são adaptadas ao nível funcional de cada criança e visam estabilizar articulações com déficit de força. As mais comuns são AFOs (tornozelo/pé) e HKAFOs (quadril a pé).

Cuidados neurocirúrgicos

Incluem o manejo de hidrocefalia, hidromielia, síndrome de Arnold-Chiari e da medula presa — esta última ocorre m 30% dos pacientes e resulta do estiramento da medula espinhal, podendo causar perda de força, piora da marcha, espasticidade, dor lombar, escoliose progressiva e infecções
urinárias. Embora sinais de medula presa estejam frequentemente presentes em exame de ressonância
magnética, o diagnóstico e a indicação de cirurgia são essencialmente clínicos.

Cirurgias ortopédicas

São indicadas para corrigir deformidades nos pés, joelhos e
musculatura, favorecendo o uso de órteses e a mobilidade
funcional. A análise tridimensional da marcha pode orientar
intervenções em pacientes com potencial de deambulação.

Função urinária e intestinal

Disfunções urológicas e intestinais são frequentes. O
tratamento visa prevenir infecções, proteger a função renal e melhorar a qualidade de vida — muitas vezes com apoio cirúrgico.

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